sexta-feira, 16 de setembro de 2016

ONU condena altos preços dos medicamentos



RIO — O Painel de Alto Nível sobre o Acesso a Medicamentos criado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, divulgou nesta quarta-feira um relatório que recomenda maior participação dos governos no desenvolvimento de novos medicamentos para melhorar o acesso da população mundial a tratamentos.
De acordo com o relatório, o preço alto de remédios e a falta de cuidado para algumas doenças afeta igualmente países pobres e ricos e são causados principalmente por custos cada vez maiores das tecnologias de saúde e a ausência de soluções para epidemias recentes como o vírus zika e a epidemia de ebola. O documento da ONU recomenda que os governos e a indústria farmacêutica trabalhem em conjunto para reduzir o preço de medicamentos essenciais, desatrelando o custo de pesquisa e desenvolvimento do valor final dos produtos.
Com quinze especialistas do mundo todo, incluindo os brasileiros Celso Amorim, ex-ministro e presidente da Unitaid, e Jorge Bermudez, vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, o painel foi montado em novembro do ano ano passado para encontrar soluções para a incoerência política entre propriedade intelectual, as leis internacionais de direitos humanos, as leis comerciais e as necessidades de saúde pública.
“As críticas ao atual sistema de pesquisa e desenvolvimento (P&D), centrado na proteção patentaria e levando a monopólios e preços inacessíveis estiveram no centro do debate. Ressaltamos a questão fundamental dos direitos humanos como centro da discussão, contrapondo-se a direitos individuais, além da constatação de que o acesso a medicamentos hoje não é mais um problema restrito a países de renda baixa e média, mas sim algo que atinge a toda a população mundial. Não é possível para nenhum sistema de saúde absorver os preços exorbitantes de novas tecnologias, como acontece por exemplo com novos antivirais para o tratamento da Hepatite C e produtos oncológicos”, explicou Bermudez.
As recomendações do documento da ONU devem provocar um intenso debate entre apoiadores do atual sistema de desenvolvimento de medicamentos e aqueles que apoiam maior intervenção governamental no mercado. Segundo a agência de notícias Reuters, nem todos os membros do painel concordaram com as resoluções. O executivo-chefe da GlaxoSmithKline (GSK), Andrew Witty, teve sérias dúvidas em relação a nova proposta de pesquisa e desenvolvimento por conta da dificuldade de arrecadação dos fundos que os governos precisariam para fazer o modelo funcionar.
Outra recomendação do relatório que deve levantar polêmica é a possibilidade de países pobres que tenham dificuldade para pagar por remédios para o tratamento de doenças mortais, possam acabar com a patente para conseguir fornecer genéricos mais baratos.
De acordo com o “Financial Times”, a indústria farmacêutica teme que essa resolução possa encorajar países que já estavam pensando em emitir licenças obrigatórias para alguns medicamentos. As empresas fizeram pressão para que esse item não fosse incluído no documento final alegando que tentativas unilaterais de invalidar patentes passariam por cima das leis que protegem investimentos do setor privado na criação de novos remédios.
A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) comemorou as recomendações do relatório da ONU e ressaltou, em nota, a importância dos governos adotarem as recomendações feitas pelo documento da ONU.
“O Painel de Alto Nível sobre o Acesso a Medicamentos apresenta recomendações práticas para ajudar a superar desafios que nossas equipes médicas vêm enfrentando há décadas. A MSF faz um apelo aos governos e à indústria para que implementem rapidamente as recomendações do relatório, incluindo a demanda por mais transparência das empresas farmacêuticas no que diz respeito aos custos de pesquisa e aos preços dos medicamentos”, disse Rohit Malpani, diretor de políticas e análises da Campanha de Acesso de MSF.
Em abril deste ano, a MSF divulgou o relatório “Lives on the Edge: Time to Align Medical Research and Development with People’s Health Needs“ (Vidas no limite: é hora de alinhar pesquisa e desenvolvimento médicos às necessidades de saúde da população, em português), que diagnostica o fracasso do sistema atual de pesquisa e desenvolvimento de medicamentos e sugere novas formas de desenvolver ferramentas que atendam melhor às necessidades das pessoas, por preços que elas possam pagar.

sábado, 23 de julho de 2016

Qual deve ser a atitude do cristão em relação ao dinheiro


Rachel Blackman
Deus criou-nos e supriu-nos com tudo que temos. Assim, temos a responsabilidade de cuidar dos recursos que Ele nos deu. O que temos deve ser visto como uma dádiva de Deus e não como algo a que temos direito. Uma visão de mundo comum é que ter riquezas é importante. Entretanto, as riquezas e a bênção não estão necessariamente ligadas. Na Bíblia, muitas pessoas que serviram fielmente a Deus eram pobres em termos materiais.
A maneira como lidamos com o nosso dinheiro e as nossas posses é um sinal do nosso comprometimento com Deus. Deus concentra-se nas nossas atitudes em relação ao que temos e não a quanto temos. Somente quando a nossa atitude for correta, usaremos o dinheiro da maneira que melhor serve a Deus e às pessoas à nossa volta.
Leia Mateus 6:19-34
Esta passagem faz parte do “Sermão da Montanha”, em que Jesus fala do Reino de Deus. Ela desafia as nossas atitudes em relação ao dinheiro e às posses.
  • O que significa acumular tesouros no céu?
  • De que forma as atitudes do Reino de Deus diferem das atitudes do mundo?
  • O versículo 24 diz que podemos servir a Deus ou ao dinheiro, mas não a ambos. Que medidas práticas podemos tomar, para que não nos tentemos a servir ao dinheiro?
  • O que os versículos 25-34 nos dizem sobre a segurança que encontramos em Deus? Como esta segurança se compara à segurança que encontramos no dinheiro?
  • Como esta passagem nos desafiaria a considerarmos a maneira como usamos o nosso dinheiro: individualmente? como organização?
Fonte: TEARFUND

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Mais de 45 milhões de pessoas vivem sob alguma forma de escravidão no mundo

Cerca de 45,8 milhões de pessoas em todo o mundo estão sujeitas a alguma forma de escravidão moderna. A estimativa é do relatório Índice de Escravidão Global 2016, da Fundação Walk Free. Segundo o documento, 58% dessas pessoas vivem em apenas cinco países: Índia, China, Paquistão, Bangladesh e Uzbequistão. Já os países com a maior proporção de população em condições de escravidão são a Coreia do Norte, o Uzbequistão, o Camboja e a Índia.
FONTE: TV Brasil


sexta-feira, 1 de julho de 2016

Por que a América Latina é a região onde mais cresce o consumo de cocaína no mundo


CocaínaImage copyrightTHINKSTOCK
Image captionO consumo de cocaína no Cone Sul disparou mais do que em qualquer outra parte do mundo

Boris Miranda - @ivanbor
http://www.bbc.com/portuguese

Antes considerada uma droga para ricos, a cocaína hoje é usada em favelas de São Paulo, bares de Montevidéu ou universidades de Bogotá.
A droga e seus derivados estão em setores de baixo nível socioeconômico, classes médias, entre jovens e adultos, universitários e homens de negócios.
O consumo de cocaína na América do Sul supera em quatro vezes a média mundial.
E não fica só nisso. O Cone Sul desbancou a Europa como a segunda região com mais usuários, atrás apenas da América do Norte.
Os dados aparecem em relatório divulgado nesta semana pelo UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime).

cocaína

O mesmo relatório aponta que o consumo de cocaína no Cone Sul disparou mais do que em qualquer outra parte do mundo entre 2009 e 2015, e que sua porcentagem de usuários se aproxima cada vez mais do índice dos Estados Unidos.
A América do Sul não é mais a região que apenas abastece os mercados de cocaína de América do Norte, Europa e Ásia. Tem seu próprio mercado e o número de consumidores avança rapidamente.
E de modo mais veloz do que o resto do mundo, aponta o informe do UNODC.

cocaínaImage copyrightREUTERS
Image captionO mercado da cocaína na América do Sul avança de forma rápida, com consequências na segurança pública

Dimensão do crescimento

Enquanto 1,6% da população da América do Norte experimentou ou usou cocaína no último ano, o índice chegou a 1,5% na América do Sul.
A média mundial é 0,4%.
Consumo de cocaína na América do Sul
PaísPorcentagem de uso na população
Uruguai1,8%
Brasil1,75%
Chile1,73%
Argentina0,73%
Colômbia0,70%
Peru0,69%
Venezuela0,64%
Bolívia0,36%
Paraguai0,25%
Equador0,08%
Média1,5%
Fonte: Relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC)
Segundo Angela Me, chefe de investigações e análise de tendências do UNODC e principal autora do estudo, diferentes fatores explicam a alta no uso de cocaína na América do Sul.
"Além do aumento na renda em toda a região, a cocaína agora tem um mercado maior. A cocaína costumava ser uma droga para gente rica, mas agora temos países como o Brasil onde a droga se usa em outras camadas da sociedade",disse a pesquisadora à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.
Outro elemento, diz Angela Me, é o aumento no número de consumidores esporádicos, que não usam a droga regularmente.
"Por isso há um incremento na quantidade de consumidores, mas não tanto no volume de cocaína usada", diz.
Há bares em todas as camadas da sociedade onde sempre há traficantes. É muito provável que um usuário de drogas tenha um telefone do vendedor ou de algum amigo dele."
Guillermo Garat, autor de "Maconha e outras ervas: proibição, regulação e uso de drogas no Uruguai".
Na avaliação do pesquisador Ricardo Soberón, ex-chefe antidrogas do Peru, o relatório mostra como a produção da folha de coca e da cocaína cresceram na esteira do aparecimento de novos mercados.
"Isso está levando a um problema complexo de ordem global", afirmou Soberón.

Por que tantos novos consumidores?

O Uruguai encabeça a lista de países sul-americanos com maior número de consumidores.
Sua porcentagem (1,8%) supera a da América do Norte (México, Canadá e EUA, 1,6%), embora ainda esteja abaixo da dos EUA (2,1%).

Cocaína apreendida na BolíviaImage copyrightGETTY IMAGES
Image captionApreensão de cocaína na Bolívia: mercado sul-americano se multiplicou e produção circula mais entre países da região

O jornalista Guillermo Garat, autor do livro "Maconha e outras ervas: proibição, regulação e uso de drogas no Uruguai", ressalta, sobre o líder de consumo na região, que o Uruguai tem renda per capita alta em comparação com outros países do continente.
"A cocaína é muito barata (de US$ 11 a US$ 15 o grama) e praticamente não mudou de preço desde o ano 2000", diz Garat.
O jornalista lembra ainda que na região a cocaína costuma estar "disponível 24 horas, mediante apenas uma chamada telefônica".
"A cocaína também está territorializada. Há bares em todas as camadas da sociedade onde sempre há traficantes. É muito provável que um usuário de drogas ou um amigo tenha o telefone de um traficante".
Segundo Angela Me, o relatório mostra que o consumo de drogas cresceu em geral no Uruguai, e não se trata apenas de cocaína.
Sobre o Brasil, a pesquisadora diz que é preciso considerar o índice alto de consumo de derivados da cocaína de baixa qualidade, como o crack e outras substâncias feitas a partir de resíduos da pasta-base.
Situação semelhante ocorre na Argentina e no Chile.
Com a disponibilidade de substâncias de baixa qualidade e preço, o número de consumidores e de viciados sobe.

Helicóptero patrulhaImage copyrightGETTY IMAGES
Image captionControles se intensificaram nos últimos dois anos na selva peruana para coibir os chamados "narcovoos" ao Brasil

Nos últimos dois anos, países como Bolívia e Peru redobraram esforços para conter o corredor aéreo de tráfico de cocaína que conecta seus países ao Brasil, maior mercado da região.
Autoridades bolivianas e peruanas chegaram a apontar que até 20 aviões de pequeno porte por dia realizavam os chamados "narcovoos" ao Brasil.

Alternativas

O UNODC defende a necessidade de novas políticas públicas para enfrentar esse aumento no número de usuários de cocaína na região.
"O primeiro a se fazer é prevenção. Trabalhar com famílias e nas escolas. Criar programas específicos focados na população jovem para prevenir o consumo de drogas", diz Angela Me.
A integrante do UNODC diz ainda que os países precisam pensar políticas para os consumidores de drogas, com ações de tratamento para conter consequências pessoais e sociais do uso.

Consumidores de crack en Sao PauloImage copyrightGETTY IMAGES
Image captionAs "cracolândias" espalhadas pelo Brasil são exemplo do avanço do consumo de derivados da cocaína no país

Contudo, os próprios países sul-americanos questionam a baixa efetividade da comunidade internacional para mudar as políticas públicas nessa área.
Governos de países como Bolívia, México, Uruguai e Guatemala apresentaram posicionamentos críticos na última sessão especial da ONU sobre drogas, em abril.
Disseram considerar, por exemplo, que declarações da ONU não avançam de fato rumo a uma mudança real de paradigma na luta contra as drogas, e propuseram novas medidas em relação á regulação e legalização de substâncias controladas.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Sobre o caso Ítalo: Um poema (e uma oração) de Pedro Marcos Pereira Lima



DUAS VIDAS

caminho                                                                              sozinho        
procurando                                                                         ando
um caminho                                                                       sem caminho

caminho                                                                             em descaminho
à sombra                                                                            o escuro arromba
tantos sóis                                                                          olhos ilusórios        

caminho                                                                             menino
sem direção                                                                       na direção
de um veículo                                                                    sem destino

caminho                                                                             um pensamento
em rasto solto                                                                    descalço
enquanto bate o vento                                                      no asfalto 

caminho                                                                                     quase vida
 a idade da infância                                                                  perdida
o velho caminhar                                                                     da criança

caminho                                                                                     com meus manos        
travessia de tantos                                                                  humanos
caminhos                                                                                   ó Deus! Caminho!         

caminho                                                                                    sem balas
no bolso                                                                                    dos sonhos
do calção                                                                                  com balas no coração

caminho                                                                                    em busca
de heróis                                                                                   que combatam o crime
não me firam                                                                            não me matem

caminho onde                                                                          não passo
o Super-Homem                                                                      Pato Donald  Pateta Mickey
corta o espaço                                                                         Cascão Mônica Cebolinha

caminhos                                                                                  que desconheço
uma história                                                                             em quadrinhos
que nunca vi                                                                            aqui onde morri



*   *   *

Pai
renova o silêncio
dessa voz
que procura seu dizer

em meio a escritura
dessas ruas
de tantas vozes naufragas

vozes por cantar
o infinito
resgatado do grito
chamando por Vê-lo

trace sua palavra
em cada letra desse céu
pendente na densidade
de um pesadelo

restaure o sonho
dessa conversa
como um verso

onde cada pessoa
dessa cidade
soe como uma palavra sua
nesse verbo
que se fez carne

uma obra de arte
nas mãos da criança
cria da esperança

que outro caminho
se abra para a infância
caminhante

de alegria
de brinquedos
sem medos


sexta-feira, 3 de junho de 2016

Corrupção é tema da Consulta da Fraternidade Teológica Latino Americana, em Lima


“É hora de unir nossas vozes, intenções e ações para lutar contra a corrupção. É a hora de abrir a boca”. Essa é a convocação para a Consulta da Fraternidade Teológica Latino Americana Continental, que acontecerá em Lima, Peru, nos dias 23, 24 e 25 de junho. O encontro tem como tema: Corrupção Mata – conceitos bíblicos, éticos e contextuais.

Segundo a coordenação do encontro, a corrupção na América Latina “representa uma situação deplorável e ameaçadora, que conspira contra a dignidade da vida”. O enfoque da Consulta se dará em três perspectivas: a primeira é um momento descritivo, buscando compreender as causas e consequências da corrupção na América Latina. A segunda é entender o que a Palavra de Deus ensina sobre a corrupção. A terceira implicará em buscar alternativas práticas na luta contra a corrupção.

Além de identificar os principais contextos onde se reconhece práticas de corrupção a partir de experiências em diversos países da América Latina e analisar a problemática da corrupção como uma distorção ética, que impregna a vida cotidiana e se projeta em diversos campos da vida social, econômica e política, o encontro objetiva refletir sobre princípios bíblico-teológicos, que sirvam de fundamento para uma crítica profética contra a corrupção, e analisar como as igrejas podem comprometer-se como agentes de denúncia e luta contra a corrupção.
Entre os preletores da Consulta estão alguns brasileiros, tais como Alexandre Fonseca, Robinson Jacintho, Jorge Barro, Serguem Silva, Rogério Donizetti, David Mesquiati e Regina Sanches.
Serviço
Data: 23, 24, e 25 de junho.
Local: Lima, Peru.
Clique aqui para mais informações.

via Renas

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Em carta aberta, economistas pedem fim dos paraísos fiscais


São Paulo (SP) - Favela avança no calçamento da rua Estevão Baião, no bairro do Campo Belo (Foto: Tuca Viera)
Mais de 300 economistas de 30 países divulgaram nesta segunda-feira, 9, carta aberta endereçada aos líderes mundiais que estarão reunidos nesta semana em Londres, em conferência anti-corrupção. No documento, eles alertam para o risco dos paraísos fiscais às economias mundiais, em especial dos países menos desenvolvidos.
Entre os signatários estão o autor de Capital no século 21, Thomas Piketty, o atual ganhador do Nobel em Economia, Angus Deaton, e o ex-economista chefe do Fundo Monetário Internacional Olivier Blanchard. Também assinam a carta professores de universidades de grande relevância, como Harvard, Oxford e Sorbonne.
Embora apresentem diferentes pontos de vista sobre os níveis de taxação no mundo, os economistas são unânimes em afirmar que os paraísos fiscais “sem dúvida alguma, beneficiam alguns indivíduos ricos e algumas corporações multinacionais, tal benefício é às custas de outros, o que apenas contribui para aumentar a desigualdade”.
O atual sistema econômico mundial, segundo os especialistas, favorece o envio de dinheiro sem taxação, o que gera o desvio de bilhões de dólares que poderiam ser utilizados em serviços de saúde, de educação e de infraestrutura em países subdesenvolvidos.
A Oxfam, que ajudou na organização da carta, pretende chamar a atenção dos líderes mundiais para que cheguem a um acordo sobre o fim dos paraísos fiscais. Oficiais de 40 países, além de representantes do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, estarão reunidos em Londres nesta quinta-feira, 12, em conferência para debater paraísos fiscais e corrupção.
Katia Maia, diretora da Oxfam Brasil, afirma que “milhões de pessoas pobres em todo o mundo continuarão sendo as maiores vítimas da sonegação fiscal até que os governos ajam juntos para acabar com os paraísos fiscais”.
Leia, a seguir, a íntegra da carta:
Aos líderes mundiais,
Solicitamos que aproveitem a conferência anti-corrupção, realizada neste mês em Londres, para tomar as medidas necessárias para colocar fim à era dos paraísos fiscais.

A existência de paraísos fiscais não traz benefício algum em termos de riqueza global ou bem-estar; eles não possuem utilidade econômica. Enquanto essas jurisdições, sem dúvida alguma, beneficiam alguns indivíduos ricos e algumas corporações multinacionais, tal benefício é às custas de outros, o que apenas contribui para aumentar a desigualdade.
Como os Panamá Papers e outros escândalos recentes têm revelado, o sigilo no qual os paraísos fiscais estão imersos alimenta a corrupção e mina a capacidade dos países de recolher impostos que lhes são devidos. Enquanto a evasão e a elisão fiscal prejudicam a todos os países, os países pobres são os maiores prejudicados, perdendo, a cada ano, cerca de US$ 170 bilhões que deixam de ser recolhidos.
Como economistas, temos opiniões muito distintas sobre quais são as taxações mais apropriadas, se diretas ou indiretas, por pessoas físicas ou por empresas. Mas concordamos que estes paraísos fiscais, que permitem ocultar ativos em empresas de fachada ou que encorajam que lucros sejam registrados por companhias que não operam em seus territórios, distorcem o funcionamento da economia global. Ocultando atividades ilícitas e possibilitando a pessoas ricas e a grandes multinacionais operar sob normas diferentes, os paraísos fiscais ameaçam o Estado de direito, um componente essencial para o sucesso econômico.
Para levantar o véu de segredos que rodeia os paraísos fiscais, precisamos de novos acordos internacionais sobre questões como relatórios de acesso público de país por país, incluindo para os paraísos fiscais. Os Governos também devem fazer sua parte, assegurando-se de que todos os territórios pelos quais são responsáveis garantam o acesso público sobre quem são os verdadeiros proprietários “beneficiários” de todas as empresas e fundos. O Reino Unido, como anfitrião desta conferência e país que possui soberania sobre cerca de um terço dos territórios que são paraísos fiscais, está em posição única para liderar esta luta.
Acabar com os paraísos fiscais não será uma tarefa fácil; existem interesses particulares poderosos que se beneficiam do status quo. Como foi dito por Adam Smith, os ricos “devem contribuir para as despesas públicas, não apenas proporcionalmente a sua renda, mas com algo maior que esta proporção”. Não há argumento econômico que justifique a continuidade dos paraísos fiscais, que distorcem esta afirmação.
Assine nossa petição para o fim dos paraísos fiscais: https://act.oxfam.org/brasil/ponha-fim-a-era-dos-paraisos-fiscais

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