sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Reunidas em livro gratuito, algumas das melhores reflexões e definições sobre Educação de todos os tempos


"Todo o propósito da Educação é transformar espelhos em janelas."
Sidney J. Harris

No e-book A Educação em 365 Frases, reunimos esta e (mais de) 365 outras frases sobre este tema capital para o homem, a Educação.
Indo dos primórdios gregos até grandes pensadores e educadores ainda em atividade, um verdadeiro tesouro de definições e reflexões se oferecem ao leitor, numa obra singular em nossa bibliografia, que visa graciosamente auxiliar a educadores de toda espécie, e ainda estudantes e todo aquele interessado no tema.

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sábado, 2 de setembro de 2017

Setembro Amarelo - Todos contra o suicídio


O CVV (Centro de Valorização da Vida), a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e Conselho Federal de Medicina (CFM) trouxeram para o Brasil, em 2014, a campanha SETEMBRO AMARELO. Na mesma lógica do “Outubro Rosa” e “Novembro Azul”, o SETEMBRO AMARELO tem como objetivo chamar a atenção das pessoas à problemática do suicídio e estimular a conversa sobre a questão por meio de diversas atividades que serão realizados no decorrer de setembro.

O dia 10 de setembro foi oficializado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

O suicídio é uma questão urgente e preocupante. Um dado alarmante é que o suicídio é a segunda maior causa de mortes entre jovens na faixa de 15 a 29 anos. No Brasil, a cada 45 minutos uma pessoa morre por suicídio (32 por dia), de acordo com dados do Ministério da Saúde de 2014. Segundo a OMS, a cada ano, mais de 800 mil pessoas tiram a própria vida no mundo. A OMS prevê que o número de suicídios no mundo pode dobrar até 2020.

Esses dados mostram que o suicídio é uma questão de saúde pública.

O suicídio é uma questão que impacta a sociedade como um todo, pois ele não escolhe cor, raça, nível social ou cultural.  Estudo realizado pelo IBGE, com coordenação da OMS, na região de Campinas, mostrou que ao longo da vida, 17,1% dos brasileiros “pensaram seriamente em por fim à vida”, 4.8% chegaram a elaborar um plano para tanto, e 2,8% efetivamente tentaram o suicídio.

O silêncio é a pior solução. De cada três pessoas que tentaram o suicídio, apenas uma foi, logo depois, atendida em um pronto-socorro. Um dado importante para ser compartilhado é que 90% dos casos pode ser prevenido.


Ações

Uma das ações que mais chamam a atenção durante a campanha é a iluminação de pontos turísticos e de destaque com a cor amarela, como aconteceu com o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, nos últimos anos. O desafio é aumentar o número de pontos iluminados de amarelo e ações de engajamento nas ações de prevenção ao suicídio este ano, mas é necessária a adesão de prefeituras, clubes, condomínios comerciais e residenciais e qualquer outra organização que possa ajudar nas ações.

Para colaborar, qualquer pessoa pode divulgar em suas redes sociais, iluminar ou identificar a fachada de uma casa ou prédio e sugerir a iluminação do local de amarelo, promover passeios de motos ou bicicletas com balões, fitas ou panos amarelos, caminhadas com camisetas amarelas, debates ou outras ações que impactem a população.

O site setembroamarelo.org.br traz mais informações e alguns materiais de apoio que podem ser utilizados sem prévia autorização. Todos que enviarem fotos de suas iniciativas para o e-mail setembroamarelo@cvv.org.br poderão ver o material compartilhado na fanpage do CVV (facebook.com/cvv141) ou do Setembro Amarelo (facebook.com/setembroamarelo).


Sobre o CVV
O CVV - Centro de Valorização da Vida, fundado em São Paulo em 1962, é uma associação civil sem fins lucrativos, filantrópica, reconhecida como de Utilidade Pública Federal em 1973. Presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo. Os mais de um milhão de atendimentos anuais são realizados por 2.000 voluntários em 18 estados mais o Distrito Federal, pelo telefone 141 (24 horas), pessoalmente (nos 76 postos de atendimento) ou pelo www.cvv.org.br via chat, Skype e e-mail. Desde setembro de 2015 realiza o atendimento pelo telefone 188, primeiro número sem custo de ligação para prevenção do suicídio, nesse primeiro momento exclusivamente no estado do RS.

Atividades Marcadas para o Mês de Setembro:

  • Dia 10/09 –  Caminhada pela Valorização da Vida e Pedalada pela Vida. Local da Concentração: Av. Paulista, esquina com a Brigadeiro Luiz Antonio. Horário: 10 horas. Não é preciso fazer inscrição.

  • Dia 11/09 – Seminário Setembro Amarelo. Conversando sobre Prevenção do Suicídio - Local: Câmara Municipal de São Paulo, Viaduto Jacareí, 100 - 1º Andar. Horário: 14 às 18 horas. Não é preciso fazer inscrição.

Dia 12/09 - Seminário Setembro Amarelo. Conversando sobre Prevenção do Suicídio - Local : Assembleia Legislativa 
do Estado de São Paulo - 
​      ​                   
Auditório
​ 
Franco Montoro - Av Pedro Alvares Cabral, 201 - Horário a partir das 14 horas - 
Não
​ 
é preciso fazer inscrição.

  • Dia 14/09 – Caminhada Noturna pela Valorização da Vida. Local da Concentração: em frente ao Teatro Municipal de São paulo, no centro. Horário: 20 horas. Não é preciso fazer inscrição.


Dúvidas e maiores informações.

Tino Perez
CVV Comunidade

Fone: 9.8318-9663

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Lições e motivos para viver


Escrito por Regina Brett, 90 anos de idade:
"Para celebrar o meu envelhecimento, certo dia eu escrevi as 45 lições
que a vida me ensinou. É a coluna mais solicitada que já escrevi. Meu hodômetro passou dos 90 em agosto, portanto aqui vai a coluna
mais uma vez:"
1. A vida não é justa, mas ainda é boa.
2. Quando estiver em dúvida, dê somente, o próximo passo, e pequeno.
3. A vida é muito curta para desperdiçá-la odiando alguém.
4. Seu trabalho não cuidará de você quando você ficar doente. Só quem te ama
5. Pague mensalmente seus cartões de crédito.
6. Você não tem que ganhar todas as vezes. Concorde em discordar.
7. Chore com alguém. Cura melhor do que chorar sozinho.
9. Economize para a aposentadoria começando com seu primeiro salário.
10. Quanto a chocolate, é inútil resistir.
11. Faça as pazes com seu passado, assim ele não atrapalha o presente.
12. É bom deixar suas crianças verem que você chora.
13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que é
a jornada deles.
15. Tudo pode mudar num piscar de olhos. Mas não se preocupe; Deus nunca pisca.
16. Respire fundo. Isso acalma a mente.
17. Livre-se de qualquer coisa que não seja útil, bonito ou alegre.
18. Qualquer coisa que não o matar o tornará realmente mais forte.
19. Nunca é muito tarde para ter uma infância feliz. Mas a segunda vez é por sua conta e ninguém mais.
20. Quando se trata do que você ama na vida, não aceite um não como resposta.
21. Acenda as velas, use os lençóis bonitos, use lingerie chic. Não guarde isto para uma ocasião especial. Hoje é especial.
22. Prepare-se mais do que o necessário, depois siga com o fluxo.
23. Seja excêntrico (a) agora. Não espere pela velhice para vestir roxo.
24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
25. Ninguém mais é responsável pela sua felicidade, somente você..
26. Enquadre todos os assim chamados "desastres" com estas palavras. 'Em cinco anos, isto importará?'
27. Sempre escolha a vida.
28. Perdoe tudo de todo mundo.
29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.
30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo..
31. Não importa quão boa ou ruim é uma situação, ela mudará.
32. Não se leve muito a sério. Ninguém faz isso.
33. Acredite em milagres.
34.. Deus ama você porque ele é Deus, não por causa de qualquer coisa que você fez ou não fez.
35. Não faça auditoria na vida. Destaque-se e aproveite-a ao máximo agora.
36. Envelhecer ganha da alternativa -- morrer jovem.
38. Tudo que verdadeiramente importa no final é o que você amou.
39. Saia de casa todos os dias. Os milagres estão esperando em todos
os lugares.
40. Se todos nós colocássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos todos os outros como eles são, nós pegaríamos nossos mesmos problemas de volta.
41. A inveja é uma perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.
42. O melhor ainda está por vir.
43. Não importa como você se sente, levante-se, vista-se bem e apareça.
44. Produza!
45. A vida não está amarrada com um laço, mas ainda é um presente.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Hino de louvor dos idosos


Hino de louvor dos idosos

Bem-aventurados aqueles que têm compreensão por meus pés trôpegos e minhas mãos trêmulas.
Bem-aventurados os que percebem que meus ouvidos precisam se esforçar para captar tudo o que me dizem.
Bem-aventurados os que adivinham que meus olhos enfraqueceram e meus pensamentos se tornaram mais lentos.
Bem-aventurados os que, com um sorriso simpático, se demoram um pouquinho mais para conversar comigo.
Bem-aventurados os que nunca dizem: “Esta história você já me contou duas vezes hoje.”
Bem-aventurados os que me deixam perceber que eu sou amado(a), respeitado(a) e não me deixam só.
Bem-aventurados os que, com sua bondade, tornam mais suportáveis os dias que me restam a caminho da Casa do pai.


Tradução de Anamaria Kovács, in Anuário Evangélico Luterano

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Água da Vida, poema de Lothar Carlos Hoch

Água da Vida

Água, fonte da vida,
Sobre ti já pairava
O Espírito de Deus
No ato da criação
Em teu seio
Fomos tecidos
De forma maravilhosa
No ventre de nossa mãe
A cada dia nós, viventes,
Saciamos nossa sede
Nos mananciais de água viva
Que continuam a jorrar do chão
Por isso, Senhor, como teus cúmplices
No cuidado da criação,
Dá que cumpramos fielmente
Essa sagrada vocação
Afim de que todos juntos
Em alegria e gratidão
Entoemos a sinfonia da vida
Em palavra e ação
Por fim, Senhor, em tua graça,
Conduze-nos às fontes da água viva
Para que, imersos em teu Espírito,
Jamais voltemos a ter sede!

quarta-feira, 5 de abril de 2017

O Papel da Espiritualidade na Prevenção das Drogas


http://eirene.com.br

Carlos Tadeu Grzybowski

INTRODUÇÃO

O presente artigo procura refletir sobre o papel da religião, entendida como transmissora de esperança, no processo de prevenção da dependência química, especialmente no trabalho voltado para adolescentes.
Palavras-chave: religião, dependência química, esperança, adolescência.

A APOLOGIA DA DROGA

Existe unanimidade entre os autores atualmente que a dependência de drogas tem uma origem multifatorial (Gutierres et al., 1994; Humes et al., 1994; Monteiro, 1990).
Quase diariamente a temática volta à tona, deatacada pela imprensa como associada à violência e de desestabilização social. Serra (1999), enquanto ministro da saúde no Brasil afirmava que: “A questão das drogas é muito mais um problema de saúde pública que de polícia. É como na AIDS:a prevenção e a educação são cruciais para se enfrentar o problema”.
A imprensa brasileira hoje faz uma apologia em torno da droga, destaca-se tanto a problemática que se esquecem as raízes mais profundas a serem tratadas.
Na experiência clínica do autor, a droga é somente um alarme, um sinal de alerta, uma denúncia clamorosa de nossa sociedade de trilhar nos caminhos que ela própria engendrou. É um sinal dos tempos, um alerta que os jovens estão tentando nos comunicar, ainda que pela via do absurdo, mas que poucos estão dispostos a ouvir.
No presente trabalho nos propomos a deixarmos de falar tanto da droga, suas conseqüências, do narcotráfico e dos crimes e passarmos a falar mais do amor, da disponibilidade e do sentido de vida.

A DROGA NA VIDA DO ADOLESCENTE

A droga na vida do adolescente de hoje não representa tanto um sinal de protesto, de revolta ou de um anticonformismo, antes é o resultado do que temos plantado em anos de uma sociedade desumana e competitiva, que treina as pessoas para terem e não para serem. Segundo Gondim (2000):
Junto com o frenesi dessa corrida materialista e consumista, aconteceu uma violenta migração para os grandes centros urbanos, tornando o mercado competitivo e forçando as pessoas a viver com um número muitíssimo maior de outras pessoas diferentes. Nasceu a globalização do mercado, o neoliberalismo e a pluralização da sociedade. Amontoando as pessoas nos grandes centros urbanos, explodiu a violência, a família perdeu vínculos de afeto, floresceu a necessidade de lazer e o comércio de drogas cartelizou-se. (p.28)
Hoje a droga não se limita a um grupo de adolescentes marginalizados, mas aparece na história da humanidade como sintoma de uma desadaptação geral. A realidade global se apresenta com toda uma oferta legal e ilegal de substâncias cada vez mais perigosas, produzidas pelas multinacionais farmacêuticas, interessadas em vender seus produtos; multinacionais do tabaco e do álcool, capazes de controlar enormes fluxos de dinheiro e inclusive administrações e governos inteiros.
Constantemente lemos reportagens nos jornais sobre vítimas de drogas, aumentam a cada dia os crimes relacionados ao vício e a idade dos dependentes é cada vez menor. Às vezes ouvimos de algum jovem na vizinhança que se tornou dependente de álcool. Outras vezes, ao sairmos para fazer compras no centro da cidade, nos confrontamos com a dura realidade de ver pessoas se drogando. (Deutschen Behinderhilfe Aktion Sogerkind, p. 8)
Os meios de comunicação de massa têm sido usados amplamente para nos fazer crer que a Máfia Internacional do tráfico de entorpecentes são alguns sujeitos mal-encarados, com traços de índios andinos ou mulatos cariocas, apanhados com enormes sacos de pós que certamente iriam levar para sujeitos vestidos de preto, com um charuto no canto da boca, escondido em algum fundo de armazém da Sicília ou de Nova Yorque. A bem da verdade, encontraremos mais facilmente os reais “mafiosos” sentados atrás de escrivaninhas de importantes multinacionais, respeitáveis chefes de família e destacados na sociedade – muitas vezes por sua filantropia.
A droga hoje está em todo lugar. Nas ruas da grande São Paulo, entre crianças que remexem latões de lixo procurando algo para comer e entre adolescentes belos e robustos do primeiro mundo, bombardeados dia e noite, além dos limites suportáveis, com as violências das ficções da TV, do rock e dos jogos eletrônicos.

O QUE SIGNIFICA OCUPAR-SE DO TEMA DAS DROGAS HOJE

Ocupar-se deste tema hoje em dia significa ocupar-se da família, da escola, do trabalho, do tempo livre, da cultura, das relações interpessoais e destas com o ambiente. Significa interessar-se pelo funcionamento das instituições, do território, da sociedade em seu conjunto. Significa interessar-se por outros povos e continentes. Leite (2001), afirma que:
Os custos da dependência incluem gastos pessoais e familiares, do sistema de saúde, de perdas laboriais, de redução de impostos, do sistema judicial e correcional, de serviços policiais, exercendo um peso importante no orçamento nacional. Tratar a dependência significa investir para a redução destes gastos já citados e a literatura científica internacional vem repetidamente apresentando os resultados positivos deste investimento. (p.26)
Também significa trabalhar com os jovens na visão que tem em relação à vida. Fornecer-lhes novos símbolos e significados. Introjetar-lhes aqueles valores autênticos que foram esquecidos em sua infância. Restituir-lhes a esperança no futuro e colocá-los em condições de fazerem projetos.
O fato de uma pessoa se tornar um drogado depende, até certo ponto, das condições e do desenvolvimento de sua infância. Porque nessa fase, pela primeira vez, são fixados os parâmetros que vão definir como ela seguirá a vida futura. Essas delimitações ocorrem principalmente nas fases de transição: ingresso na pré-escola, início das aulas, entrada na puberdade, etc. (Deutschen Behinderhilfe Aktion Sogerkind, p. 11)
Desta forma entendemos que o trabalho com a questão da droga estende-se para além das questões do tratamento das compulsões ou do combate ao comércio ilícito de substâncias psicoativas, mas inclui obrigatoriamente ações de perspectiva sistêmica: contra os meios de comunicação que, condicionados à busca de sensacionalismo, estampam em primeira página a foto do adolescente que foi encontrado com um punhado de droga no bolso, mas que se calam sobre o comentar que muitos de nossos médicos estão prescrevendo aos jovens tranqüilizantes, que na prática médica deveriam ser destinados aos doentes mentais severos ou àqueles que sofreram graves traumatismos; contra o aumento do consumo de bebidas alcoólicas entre crianças nas famílias socialmente nobres; contra a atitude de pais que, nos menores sintomas, entopem seus filhos de remédios sem consultar um profissional; contra as cenas de violência, centenas de homicídio, milhares de imagens onde se bebe álcool e contra inúmeras situações nas quais homens e mulheres são instrumetalizados, vendidos, humilhados, violentados e desfigurados.
O entendimento desta trama relacional é imprescindível para se poder haver uma ação mais efetiva no que concerne ao uso de drogas pelo adolescente. Nas palavras de Bertallanfy (1976):
A ciência clássica procurava isolar os elementos do universo observado – compostos químicos, enzimas, células, sensações elementares, indivíduos em livre competência e tantas coisas mais, na esperança que, tornando a juntá-los, conceitual ou experimentalmente, resultaria num sistema de totalidade – célula, mente, sociedade – e seria inteligível. Agora aprendemos que para compreender não se requer somente os elementos, mas sim as relações entre eles. (p.xii)
De forma sintética podemos concluir que se ocupar do tema das drogas significa ter uma compreensão da realidade complexa na qual estamos inseridos e não apenas de uma causalidade linear do fenômeno, o que pode gerar um simplismo.

PASSAR DA CONDIÇÃO DE DROGAR-SE PARA A CONDIÇÃO DE AMAR-SE

Picchi (1986) levanta o questionamento de quais seriam as razões que o adolescente de hoje em dia, diante desta realidade complexa, teria para não se envolver com a droga:
Então me dêem um bom motivo pelo qual o nosso adolescente, frágil, privado de uma forte consciência crítica, num jogo de forças entre a atração e a repulsão, deveria dizer não ao coercivo que lhe oferece marijuana, uma pílula, álcool ou cocaína. Dêem-me uns bons motivos pelo qual, naquelas famílias em que a confrontação e o diálogo têm sido sacrificados pela busca do êxito, do dinheiro e do bom nome, onde não se ensina a expressar os sentimentos, onde o compartilhar tem sido delegado à babá eletrônica e aos brinquedos caros, onde os pais se envergonham de abraçar os filhos e dizer-lhes: “Filho, eu te amo!” Os jovens deveriam ser capazes de assumir as próprias responsabilidades, de serem honestos e claros, atentos e disponíveis para com seus semelhantes.(p.5)
Diante de uma realidade social desfavorável, num país onde não existem fontes de trabalho nem escolas suficientes para atender toda a população, onde não existe uma infra-estrutura desportiva e de lazer, frente a um mundo que continua engrossando seus arsenais armamentistas, onde com freqüência os auxílios outorgados aos países pobres para sair de sua miséria vêm transformados em compra de armas e onde bastaria um descuido para se produzir um desastre nuclear, parece quase “sensato” que os jovens tenham medo deste modelo social e intentem buscar estados de inconsciência. Lisboa (2001), afirma que:
A droga, qualquer que seja, além de ter repercussões prejudiciais no conjunto do organismo humano, compromete o sendo crítico e moral e produz um entorpecimento emocional, tornando o usuário mais vulnerável psiquicamente. (p.51)
O neo-liberalismo tem provocado um crescente abismo entre ricos e pobres, onde famintos meninos de rua tem que perambular diuturnamente em busca de migalhas, as quais são obrigados a entregar em casa, sob ameaça de espancamento, cuja marquise de um prédio qualquer é mais reconfortante que o barraco onde ele presencia cenas de violência entre os pais. Tais crianças não vêem uma ‘conduta de risco’ quando intentam fugir desta realidade através dos “saquinhos de leite dos sonhos”.

A OPÇÃO DA ESPERANÇA

Os usuários e dependentes de drogas possuem, em geral, uma falta de esperança. São muitos os jovens que vagueiam pelas ‘baladas’ muito mais com medo da vida, que com medo da morte, sem um sentido, um significado para a vida. Estão desiludidos, cansados e não crêem na possibilidade de haver futuro. Johnson (apud Worthington, 2000) afirma que: A mente humana não se move de prazer em prazer, mas de esperança em esperança.
Profissionais da área de saúde mental, influenciados por teorias fatalistas e sem um sentido de mudança incrementam a idéia de ‘acomodar-se e conviver com o problema’ ao invés de propor ações efetivas de transformação da realidade. Devotos ‘sartreianos’ e ‘hemigwaianos’ reforçam a falta de sentido da vida para jovens que convivem diariamente com a violência, famílias quebradas pelo divórcio, ausência de afetos parentais, relacionamentos ‘informatizados’ e modelos sociais totalmente disfuncionais.
Segundo Maldonado (2004): Hoje enfrentamos um mundo de experiências subjetivas, de verdades relativas, de significados próprios, de desconfiança e de ironia. (p.20)

O PAPEL DA RELIGIÃO

A partir desta perspectiva, verifica-se o papel da religião na prevenção ao uso e drogas ilícitas pelo adolescente. Não uma religiosidade neurótica ou neurotizante, funcionando como substituo da droga, mas uma religião de valores, que proporcionem ao jovem o preenchimento de seu vazio interior, um sentido para o existir e uma razão para erguer a cabeça e dizer que a vida vale a pena ser vivida.
Grzybowski, Massolin e Plummer (1987), afirmam que a religião cumpre um importante fator preventivo no uso de drogas pelo adolescente, desde que a mesma seja vivenciada no seio da família como um importante marco de valores e não como uma imposição de leis e normas excêntricas à realidade do adolescente.
Nurco e Lerner (1996) afirmam que:
“A aceitação natural dos valores tradicionais e crenças paternas sobre o comportamento de juvenis tem sido notado como contribuição para uma atmosfera que ajuda a criança desenvolver uma direção de crenças morais próprios dela e, onde estas crenças são fortemente guardadas, podem servir para desencorajar a delinqüência mais tarde. Mas estudos de se forte aceitação paternal de crenças tradicionais pelos filhos juvenis desencoraja a dependência narcótica mais tarde são raros ou não existentes. Isto é verdade também para os estudos sobre desaprovação paternal sobre erros de comportamento dos seus filhos juvenis. Aqui levantamos a hipótese de que ambos fatores são associados de forma significativa com dependência mais tarde”. (p. 1089)
Os valores mais importantes a serem transmitidos aos adolescentes são: da responsabilidade, da honestidade, da justiça, da verdade, da paz, da esperança, do serviço, da disponibilidade e do sentido de pertencer. Todos estes são valores do Evangelho.
Quando pais, mesmo aqueles que se dizem cristãos, voltarem-se para os verdadeiros valores do evangelho, os valores da ternura, do afeto, do priorizar o ser, do diálogo e do desejo de simplesmente “gastar tempo” com Deus e com o próximo, então iniciaremos um GRANDE PROGRAMA PREVENTIVO, cujo efeito se fará sentir por 3 ou 4 gerações futuras. Esta já era a promessa de Deus para o povo de Israel quando Ele ditou o “SHEMÁ” em Deuteronômio 6: “As palavras que hoje te ordeno, tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás” – com toda a expressão de sua vida – andar, levantar, deitar, sentar. (Grzybowski, 1996, p.20)
Para Picchi (op. Cit, 1986), a prevenção ao abuso de drogas se inicia conosco mesmos, quando nos opomos…
… ao desafio lançado pelo sofrimento e o silêncio do mundo, num valoroso gesto de rebelião para construir, com vontade, um projeto de dimensão humana. Um gesto de revolução que parte do Evangelho, da atenção que Jesus dirigiu às massas em seu sermão da montanha, indicando ao homem como descobrir o significado da vida, do sofrimento, do serviço, da gratidão, da disponibilidade e da solicitude. (p.8)
Estes são os valores que a religião cristã nos lega. Este é o papel da religião na prevenção das drogas.

Bibliografia

BERTALANFFY, Ludwig von, (1976). Teoria Geral dos Sistemas, México: Fondo de Cultura Econômica.
DEUTSCHEN BEHINDERHILFE AKTION SOGERKIND, (1993). Drogas: como evitar, tradução de Dagmar Fuchs Grzybowski, Viçosa: Editora Ultimato, 1ª ed., 1996.
GONDIM, Ricardo, (2000). Orgulho de ser evangélico, Viçosa: Editora Ultimato
GRZYBOWSKI, C. T., MASSOLIN, L. & PLUMMER, A. L., (1987). O papel da religião na prevenção das drogas. Trabalho apresentado no Curso de Qualificação de Palestrantes na Prevenção ao Abuso de Drogas, Governo do Estado do Paraná, Secretaria do Estado da Justiça, Conselho Estadual de Entorpecentes, Curitiba, agosto de 1987.
GRZYBOWSKI, Carlos Tadeu, (1996). É só um golinho, Mulher Cristã Hoje, 5, 20-22.
GUTIERRES, S. E., MOLOF, M. & UNGERLEIDER, S., (1994). Relationship of “risk” factors to teen substance use: a comparison of abstainers, infrequent users, and frequent users, The International Journal of the Addictions, 29 (12), 1559-1579.
HUMES, D. L. & HUMPHREY, L., (1994). A multimethod analysis of families with a polydrug-dependent or normal adolescent daughter, Journal of Abnormal Psychology, 103, (4), 676-685.
LEITE, Marcos da Costa, (2001). Aspectos Básicos do Tratamento da Síndrome de Dependência de Substancias Psicoativas. Série Diálogo, SENAD, Brasília, 2ª ed.
LISBOA, Ageu Heringer, (2001). Sexo: desnudamento e mistério, Viçosa: Editora Ultimato
MALDONADO, Jorge, (2004). Introduccion al asesoramiento pastoral de la familia, Nashville, Abingdon Press.
MONTEIRO, M. G., (1990). Bases genéticas do alcoolismo: visão geral, Revista da Associação Médica Brasileira, 36, (2), 78-82.
NURCO, David N. e LERNER, Monroe, (1996), Vulnerability to narcotic addiction: family structure and functioning, Journal of Drug Issues, 26 (4), 1087-1095, 1996.
PICCHI, Mario, (1986). Que significa ocupar-se de la droga, Revista Il Delfino, ano XI, suplemento no. 5, sept-oct 1986.
SERRA, José, (1999, 8 de setembro). Sopro de mudança. Isto É, p.122.

WORTHINGTON, Everet, (2000). Casamento, ainda resta uma esperança – modelo para terapia breve, tradução de Werner Fuchs, São Paulo: Editora SEPAL

quarta-feira, 15 de março de 2017

Lista suja do trabalho escravo aponta 250 empregadores


Relação não era divulgada pelo governo desde 2014 e foi obtida pela ONG Repórter Brasil, por meio da Lei de Acesso à Informação.

Confira a lista completa aqui.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

SÍRIA: O Sonho de Bana - Poema de J.F.Aguiar

A jovem Bana


Sonho de Bana

Bana como muitas crianças
Há muito não brinca como criança
Sua Aleppo, ruas de ruínas
Sua casa, ruína, sua escola, ruína
Bombas, fuzis e balas
Não há água, não há luz
A morte não da trégua
Lágrimas, lamentos
Porquê tanto sofrimento?
Que mal fizeram as crianças?
Bana e outras como  ela
Sonha com o fim da guerra
Guerra dos adultos
Guerra de quem não pensa como as crianças
Bana sonha...sonhos bons para sua Síria
Sonha em ensinar crianças e adultos
Como vencer suas guerras....
Sem morte, sequelas
Abrir mão de suas verdades
Todas elas são mentiras
Todas elas são vaidades de maldades
Bana diga a todos que a verdadeira Verdade
Não mata, não faz injustiça
Ama a todos - principalmente as crianças
Ela não vem de fora para dentro
Vem de dentro para fora
A quem se fizer como criança
Bana cresça mas seja sempre criança!
Com soldados e bombas
Não mais veremos sua sonhada Síria.

Visite o blog do autor: http://virtudemaior.blogspot.com.br/

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

A escravidão não acabou


Trabalho escravo no Brasil entre 2003 e 2016, em porcentagem

349 empregadores ainda submetem os contratados a condições degradantes e subumanas
Com um adiantamento que podia chegar a cerca de 60 reais, dezenas de trabalhadores rurais foram seduzidos na década de 1990 para capinar juquira na Fazenda Brasil Verde, no Sul do Pará. Essa espécie de mato, conhecida por incomodar fazendeiros na criação de gado, foi a principal razão para um dos casos mais simbólicos de flagrante de trabalho escravo na história do País. No último mês de dezembro, enfim, a consequência: o Brasil foi a primeira nação a ser condenada pela Corte Interamericana de Direitos Humanos por não prevenir a prática de trabalho escravo moderno e de tráfico de pessoas.
Sobraram evidências para a responsabilização do Estado brasileiro no caso. Além de serem ameaçados caso abandonassem o emprego, os trabalhadores resgatados nesse local dormiam em barracões cobertos de plásticos e palha, sem proteção lateral, o que permitia a entrada de chuva e ventos durante a noite. Também não havia cama, o “alojamento” era de redes.
E a água, imprópria para consumo, assim como a alimentação oferecida. Isso não impedia que os trabalhadores rurais tivessem essas “despesas” descontadas de seus vencimentos, que nunca chegavam a ser pagos de fato. Ao todo, somente nessa fazenda, mais de 300 trabalhadores foram resgatados, entre 1989 e 2002.
Foi para combater situações como essa que o Brasil começou a publicar, em 2003, o “Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à de escravo”, mais conhecida como a Lista Suja do Trabalho Escravo, que reúne nomes de empresas ou pessoas que colocaram trabalhadores em situações degradantes ou forçadas de trabalho. Essa importante ferramenta, reconhecida internacionalmente, não foi publicada, no entanto, pelo governo Michel Temer no último ano, o que pode sinalizar um retrocesso maior a caminho.
A gestão peemedebista aproveitou-se de uma decisão judicial já revista para, simplesmente, ignorar a existência desse cadastro. Isso porque em dezembro de 2014, durante o recesso de fim de ano, o ministro Ricardo Lewandowski, então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu liminarmente e de forma monocrática o pedido da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) para suspender a publicação. A Abrainc representa as principais construtoras do País e está sob comando, atualmente, da MRV Engenharia.
A medida cautelar foi cassada, entretanto, pela ministra Cármen Lúcia, em maio de 2016 e o Ministério do Trabalho foi liberado para voltar a divulgar o cadastro há mais de oito meses. Mas nenhuma lista foi oficialmente divulgada até agora. A decisão do Supremo levou em conta uma nova portaria interministerial, publicada no apagar das luzes do governo Dilma Rousseff, para driblar o impasse.
Na prática, a portaria flexibiliza as regras de manutenção do cadastro de empregados. Por essa mudança, as empresas flagradas com trabalhadores em condições análogas à escravidão passam a figurar em uma nova lista se firmarem um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) ou acordo judicial com a União. Isso significa que, desde então, o governo poderia publicar duas listas: uma com empresas que se comprometeram a solucionar o problema e outra com as que não mostraram intenção de tomar providência alguma.
Ainda assim, desde que assumiu, o governo Michel Temer ignora essa possibilidade. A omissão deliberada fez com que o Ministério Público do Trabalho ajuizasse uma ação civil pública para obrigar o governo federal a voltar a atualizar o cadastro de empregadores envolvidos com escravidão. No dia 19 de dezembro, o juiz Rubens Curado Silveira, da 11ª Vara do Trabalho de Brasília, reconheceu a importância do tema e determinou que uma nova lista fosse publicada em até 30 dias, a partir do momento em que o governo fosse notificado da decisão.
Na decisão, Silveira lembrou justamente o caso da Fazenda Brasil Verde. “Esse foi o primeiro caso decidido pela CIDH [Corte Interamericana] sobre escravidão e tráfico de pessoas, o que acabou por colocar a República Federativa do Brasil no 'banco dos réus' do plano internacional", observa o magistrado.
"Nesse cenário, revela-se ainda mais preocupante a omissão atacada, pois sinaliza um retrocesso injustificado no trato do tema em uma quadra da história em que o Estado brasileiro deveria, em resposta à condenação que lhe foi imposta, redobrar os esforços em busca da extinção definitiva do trabalho escravo em seu território”.
Para Tiago Muniz Cavalcanti, procurador do Trabalho e um dos autores da ação, essa postura marca o retrocesso de políticas públicas até então elogiadas por órgãos como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT). “A publicação da Lista Suja é uma política de Estado e não uma política de governo. O combate ao trabalho escravo tem de continuar”, critica. “Essa postura omissiva vem desde maio para cá e não existe justificativa para isso.”
Além de uma ferramenta de defesa dos direitos humanos, a Lista Suja também era uma referência para o mercado e bancos na hora de conceder financiamentos ou fazer negócios com determinadas empresas. Mesmo instituições privadas utilizavam o cadastro feito pelo Ministério do Trabalho antes de concluir operações de crédito para companhias. A decisão do governo federal de impedir o acesso a essa lista coloca todas as empresas no mesmo patamar.
“Para além dos direitos humanos e da questão de acesso à informação e liberdade de imprensa há a questão muito clara de mercado (para a publicação da lista). É por isso que as empresas sérias querem essa informação, é uma questão de risco. O mercado brasileiro aprendeu que só tem a ganhar ao gerenciar esse risco, não é fazer com que as empresas percam negócios”, alerta o jornalista e presidente da ONG Repórter Brasil, Leonardo Sakamato.
Atualmente, é a ONG presidida por ele que tem conseguido obter e divulgar a Lista Suja com a ajuda da Lei de Acesso à Informação. A última foi obtida em junho do ano passado e apresenta 349 nomes de empregadores.
Para a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a postura do governo federal não encontra respaldo nem mesmo entre a classe empresarial do País. “Existe um grupo majoritário que não quer ser confundido com os escravagistas, porque isso pode fechar o acesso de um produto a determinado país vizinho ou cadeia produtiva no exterior”, enfatiza o Frei Xavier Plassat, coordenador da Campanha contra o Trabalho Escravo da CPT.
As vozes pela atualização da lista não vêm apenas de organizações de combate ao trabalho escravo e do Ministério Público, a ONU também fez a mesma recomendação ao Brasil. No ano passado, o órgão lançou um artigo técnico de posicionamento sobre o tema, em antecipação às comemorações do Dia do Trabalho. Para evitar retrocessos nas conquistas alcançadas pelo Brasil, o documento da ONU faz uma série de recomendações, entre elas a reativação da chamada "Lista Suja" e a manutenção do conceito atual de “trabalho escravo”, previsto no Código Penal Brasileiro.
"Nota-se uma crescente tendência de retrocesso [no Brasil] em relação a outras iniciativas fundamentais ao enfrentamento do trabalho escravo, como por exemplo, o Cadastro de Empregadores flagrados explorando mão de obra escrava, comumente reconhecido por 'Lista Suja', que foi suspenso no final de 2014", registra a organização.
Nada disso comove o ministro Ronaldo Nogueira, do Trabalho, mal assumiu a pasta, avisou a interlocutores que não iria publicar a lista. A secretária Especial dos Direitos Humanos do Ministério da Justiça e Cidadania, Flávia Piovesan, que tem capitaneado todas as ações sobre o assunto, em novembro anunciou a coordenação de um Pacto Federativo para Erradicação do Trabalho Escravo com o estado do Pará, a unidade da Federação com o maior número de casos. Nogueira enviou seu secretário-executivo, Antonio Correia de Almeida, para a cerimônia, mas a assessoria de comunicação do ministério mal registrou o fato em seu site.
Não está claro se a postura decorre de uma decisão particular do ministro, ou se há algum tipo de orientação vinda do ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. Em dezembro, uma operação das polícias Militar, Civil e Ambiental de Mato Grosso, que investiga desmatamento ilegal, encontrou em péssimas condições as acomodações de empregados em uma fazenda de Padilha, em Mato Grosso, e encaminhou as imagens ao Ministério Público do Trabalho, diante da suspeita de trabalho análogo à escravidão.
Pressões de empresas do setor da construção civil, de parlamentares ou até mesmo de ministros por conta da repercussão negativa da Lista Suja do Trabalho Escravo não são novidades no País. Esse tipo de relato também era comum nas gestões petistas e encontrava conivência, inclusive, entre parlamentares do PT e integrantes do governo Dilma. No entanto, a postura da gestão Temer, mesmo com vozes dissonantes como a de Flávia Piovesan, pode sinalizar mudanças mais preocupantes. 
Há algum tempo que integrantes da bancada ruralista tentam abrandar no Congresso a definição de trabalho escravo, com o objetivo de impedir que flagrantes de trabalho em condições desumanas seja enquadrado nessa prática. Um dos patrocinadores desse ponto de vista é justamente o líder do governo no Congresso, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), que foi ministro de Temer. 
Em 2014, quando os congressistas discutiam a PEC do Trabalho Escravo, Jucá tentou emplacar sua tese sob o argumento de que os termos utilizados para a identificação de trabalho escravo eram “genéricos”. “O que é sumamente revoltante para alguns pode não o ser para outros”, amenizava no texto de seu projeto. “Principalmente porque as condições de trabalho em geral não são lá essa maravilha nos campos distantes, nas minas, nas florestas e nas fábricas de fundo de quintal.”


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